Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

A Casa de Santa Marta em Chaves

 

Tal como referido no post de abertura deste blog, são as histórias de vida dos utentes da Casa de Santa Marta de Chaves que irão preencher este espaço, mas convém, antes dessas histórias serem aqui contadas, deixar um pouco da história de vida da Instituição que hoje acolhe essas histórias.


A Casa de Santa Marta tem raízes na Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados. Foi fundada em Espanha pelo Padre Saturnino Lopes Nova e por Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars, no ano de 1873. A sua obra, que é dedicada exclusivamente às pessoas idosas, está presente em 17 países de três continentes, com um total de quase 4000 Irmãs que atendem cerca de 30.000 idosos em 213 lares.

 


Em Chaves, as Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados marcam presença desde 1936.

A guerra civil espanhola obrigou muitas congregações religiosas, então particularmente perseguidas, a procurar lugares mais seguros. Várias irmãs da comunidade de Verin, vieram para Chaves, procurando a segurança que por lá faltava.


Chaves, que desde sempre foi hospitaleira, proporcionou acolhimento às irmãs, que se estabeleceram inicialmente na Madalena, onde desde logo começaram o seu trabalho de amparo aos mais idosos. Trabalho ao qual o Padre Manuel Pita não ficou alheio e que foi observando e apreciando, pelo que, pouco tempo após a chegada das irmãzinhas, o levaram a convida-las para colaborar com a Santa Casa da Misericórdia de Chaves, que, já então tinha um asilo para velhinhos em Chaves. Embora tivessem aceitado, a sua passagem pela Santa Casa foi breve. Divergências com a Direcção da Santa Casa da Misericórdia levaram as irmãzinhas a abrir a seu próprio espaço, um asilo no Bairro do Telhado, numa casa e quinta doada pelo Senhor Padre Pita, ficando a ser conhecido pelo Asilo dos Velhinhos ou Asilo Padre Pita, denominação que manteve até 1972. A partir dessa data passou a denominar-se por Casa Santa Marta, nome que mantém ainda hoje.

 


As instalações que começaram pela casa existente na quinta, pequena e velhinha, aos poucos foram crescendo, dando lugar a novos espaços e a uma capela. Foi vivendo com alguma precariedade de acrescentos, remodelações, melhoramentos, situação que se foi mantendo até finais dos anos 80 quando a Congregação partiu para a construção de um edifício de raiz, no mesmo local, e que deu lugar ao edifício actual. Um edifício que reúne todas as condições de acolhimento, com alas para mulheres, para homens e para casais, com várias salas de convívio e de estar, salas de visitas, ginásio, capela e todos os demais espaços necessários como refeitório, enfermaria, gabinete médico, cabeleireira, etc.

 


Exteriormente o edifício é rodeado por espaços amplos e cuidadosamente ajardinados e tratados que fazem a delícia possível do estar e do passear que a idade recomenda aos seus utentes, principalmente de verão, onde também não faltam aparelhos de ginástica com características para idosos.

 


E agora alguns números. Dez Irmãzinhas mantêm esta casa de pé. Até à presente data e desde que abriram portas em Chaves, há precisamente 75 anos, já por lá passaram mais de 1400 velhinhos. O Lar tem cerca de 130 utentes, procedentes de mais de 70 freguesias e de 35 concelhos, 6 distritos e 9 países. Dados que estão sujeitos a alterações, mas não muitas, pois grande número dos utentes são utentes de longa data com mais de 20 e até mais de 30 anos de casa, o que faz com que a lista de inscritos e lista de espera seja sempre superior ao número de utentes, sendo este, o principal problema da Casa de Santa Marta.

 


A equipa de trabalho da Casa Santa Marta conta ainda com a colaboração de cerca de 45 elementos, entre os quais um capelão, um médico, três enfermeiras, uma fisioterapeuta, um psicólogo, uma Assistente Social, um Animador Sociocultural, um contabilista, cinco voluntários, além do pessoal de serviço da cozinha, lavandaria, costura, pedicure e manicure, e auxiliares de vários sectores.

 

publicado por stamarta-animação às 02:41
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1 comentário:
De Canalizadores | Canalização a 15 de Dezembro de 2011 às 15:21
Ainda são estas casas/pessoas que nos fazem acreditar que o Mundo poderá ser um local óptimo para se viver!


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